Remuneração de Depósitos a Prazo quer se trate de poupança pessoal ou seja dinheiro parado na conta de um pequeno negócio
- Illuminium Nativis

- 12 de jan.
- 4 min de leitura

Remuneração de Depósitos a Prazo quer se trate de poupança pessoal ou seja dinheiro parado na conta de um pequeno negócio:
Como funcionam, quanto rendem e quando fazem sentido para pessoas e pequenos negócios
Falar de depósitos a prazo parece simples… até começarmos a ouvir siglas, taxas, percentagens e gráficos que afastam quem só quer uma resposta clara a uma pergunta básica:
👉 “O meu dinheiro está a render alguma coisa ou está só parado?”
Este artigo nasce exatamente para responder a isso — sem complicações. Quer se trate de poupança pessoal, quer seja dinheiro parado na conta de um pequeno negócio, aqui explico como funciona a remuneração dos depósitos a prazo, quanto se ganha de verdade e quando esta solução faz (ou não) sentido.
1. O que é, afinal, um depósito a prazo?
Um depósito a prazo é um acordo simples
deposita-se dinheiro no banco,
durante um prazo definido,
em troca de juros conhecidos à partida.
Na prática, está a “emprestar” o seu dinheiro ao banco por um período específico.
Em troca, o banco paga-lhe juros.
✔ O capital é seguro
✔ O prazo é definido
✔ O rendimento é previsível
Este funcionamento é exatamente igual para:
particulares,
trabalhadores independentes,
micro e pequenos negócios.
O que muda é o objetivo com que o dinheiro é aplicado.
2. Depósitos a prazo: não são só para particulares
Quando se fala em depósitos a prazo, pensa-se logo em poupança pessoal. Mas há uma realidade pouco falada: muitos pequenos negócios têm dinheiro parado.
Alguns exemplos comuns:
valores reservados para IVA ou IRC;
dinheiro guardado para pagar fornecedores;
excedente de tesouraria entre épocas de maior atividade;
verbas para investimentos futuros.
Se esse dinheiro vai ficar parado durante meses, faz sentido perguntar:
👉 “Pode estar a render alguma coisa, mesmo sem risco?”
É aqui que o depósito a prazo pode entrar como ferramenta de gestão simples, tanto para famílias como para empresas.
3. As taxas que aparecem nos depósitos (explicadas sem “financês”)
É nesta parte que muita gente desiste — mas não precisa ser assim.
TANB — Taxa Anual Nominal Bruta
É a taxa que o banco anuncia.
“Bruta” significa antes de impostos.
TANL — Taxa Anual Nominal Líquida
É o que realmente recebe, depois do imposto.
Em Portugal, os juros de depósitos estão sujeitos, regra geral, a 28% de imposto (retenção na fonte).
TAE — Taxa Anual Efetiva
Entra em jogo quando há capitalização de juros (juros sobre juros).
TAEL — Taxa Anual Efetiva Líquida
A TAE já com os impostos descontados.
📌 Em linguagem simples:
A taxa mais importante não é a que o banco anuncia — é a que entra, de facto, na sua conta.
4. Exemplo prático (sem atalhos)
Vamos a números reais, porque é aí que tudo fica claro.
Exemplo A — Poupança pessoal
Depósito: 10 000 €
Prazo: 1 ano
TANB: 1,37%
Juros brutos 10 000 € × 1,37% = 137 €
Imposto (28%) 137 € × 0,28 = 38,36 €
Juros líquidos 137 € − 38,36 € = 98,64 €
➡️ Rendimento real: cerca de 0,99%
Exemplo B — Pequeno negócio
Tesouraria disponível: 25 000 €
Prazo: 6 meses
TANB: 1,40%
Mesmo com um prazo curto, o dinheiro:
não está parado,
não corre risco,
rende mais do que numa conta à ordem.
Não é um ganho extraordinário — mas é gestão consciente.
5. A inflação: o “inimigo silencioso”
Aqui entra uma parte essencial e muitas vezes ignorada.
Se a inflação for, por exemplo, 2,5%, e o depósito render 0,99% líquidos:
➡️ O dinheiro cresce em números
➡️ Mas perde poder de compra
Para famílias, isso significa comprar menos no futuro.
Para empresas, significa:
menor margem,
menor capacidade de investimento,
maior pressão financeira.
Por isso, depósitos a prazo são seguros, mas nem sempre protegem o valor real do dinheiro.
6. Como têm evoluído as taxas em Portugal
As taxas dos depósitos a prazo não são fixas ao longo do tempo. Elas variam conforme:
decisões do Banco Central Europeu,
ciclos económicos,
crises e períodos de crescimento.
📊 GRÁFICO DO BANCO DE PORTUGAL (Evolução da taxa média dos novos depósitos a prazo)
Estes gráficos ajudam a perceber porque:
houve anos em que compensava mais,
e outros em que os depósitos servem apenas para não deixar o dinheiro parado.
7. O que influencia a remuneração de um depósito
Antes de escolher um depósito, vale a pena olhar para:
Prazo — quanto mais longo, nem sempre melhor
Montante mínimo — alguns exigem valores elevados
Capitalização de juros — pode aumentar o rendimento
Mobilização antecipada — levantar antes pode penalizar
Contexto económico — taxas sobem e descem
Tudo isto deve ser lido na ficha de informação do produto, sem pressa.
8. Quando faz sentido usar depósitos a prazo?
✔ Para particulares
fundo de emergência;
objetivos de curto prazo;
perfil conservador;
dinheiro que não quer arriscar.
✔ Para pequenos negócios
valores reservados para impostos;
tesouraria temporariamente parada;
negócios sazonais;
períodos de menor atividade.
❌ Não são ideais para:
crescimento de património;
objetivos de longo prazo;
compensar inflação elevada.
9. Depósitos a prazo vs outras opções
Os depósitos a prazo não são maus — mas também não são milagrosos.
Outras opções podem fazer sentido, consoante o perfil:
contas poupança remuneradas;
certificados do Tesouro;
fundos de investimento;
PPR;
ETFs.
O mais importante é perceber que não existe uma solução única para todos.
10. Conclusão: vale a pena ou não?
Depósitos a prazo continuam a ter o seu lugar:
pela segurança,
pela simplicidade,
pela previsibilidade.
Para pessoas e pequenos negócios, podem ser uma boa ferramenta de gestão financeira consciente — desde que se saiba:
quanto rendem de verdade,
quais são os limites,
e quando fazem sentido.
Porque tomar boas decisões financeiras não é saber tudo — é entender o suficiente para escolher melhor.








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